House is in the “heezy”!

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Todas as imagens são do episódio “Broken”/Direitos da Fox

Depois de assistir a première de House eu me senti compelido a escrever sobre as minhas expectativas e sobre o que eu achei da estréia em si. Então aí vai!

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Depois de 5 temporadas a série House M.D. sofre uma repaginada na trama com a temática: “O que acontece quando o médico se torna paciente?”. No final da temporada passada Dr. Gregory House se interna em uma clínica psiquiátrica para se curar da dependência e das alucinações causadas pelo Vicodin.

Mudanças na trama sempre são bem vindas, e neste caso confesso que fiquei com receio pois foi uma mudança ao avesso. Não há mais clínica, não há mais doenças para curar, neste primeiro episódio de “duas horas e um minuto” (líquido, dá uma hora e meia). Enfim, não temos mais os personagens habituais. É só House e o mundo, o mundo e House.

Além da longa duração, a première “Broken” em seus primeiros minutos dá o tom de que é especial. Não tocam a abertura com o Massive Atack, Teardrop. Os créditos de abertura “rolam” com a triste “No Surprises” do Radiohead (Radiohead sempre é triste) e House sofrendo com a desintoxicação de Vicodin. Mais poético sonoramente e visualmente impossível.

Fim dos créditos, fim da desintoxicação e logo em seguida começa a verdadeira reabilitação de House, que é a que realmente interessa: a psicológica.

O que me deixava frustrado nas temporadas passadas é que tínhamos só migalhas do que era o “ser humano” House e apesar de ser muito engraçado vê-lo, em certos momentos, aplicar o “sarcasmo de destruição em massa”, sempre tive a curiosidade de conhecer um personagem tão fascinante por dentro. E é nesse “rehab” que conhecemos o House por dentro durante este período de uma hora e meia.

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A prèmiere é cercada de ótimas atuações e ótimos personagens para desvendar o ser humano House, como por exemplo Lin-Manuel Miranda interpretando Alvie. Sensacional atuação! Muito carismático como o roommate e parceiro das tramas de House para ajudar o médico a sair do manicômio sem precisar terminar o tratamento. Os dois juntos me lembram o filme “A Vida é Bela” com o Roberto Benigni não sei porquê. Talvez seja pelas brincadeiras entre os dois num mundo totalmente fora da “realidade”.

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Andre Braugher como o respeitado Dr. Nolan é o médico que tem bolas para desafiar House. Ótima atuação. É interessante notar que os roteiristas frequentemente falam, através da boca de Nolan, verdadeiras lições de vida como:

Nolan: Por que você valoriza seus fracassos mais do que seus sucessos?
House: Minha mãe me pegou me masturbando… olhando para fotos da mãe dela.
Nolan: Podemos pular os desvios de assunto engraçadinhos?
House: Sucessos somente duram até alguém estragar tudo. Fracasso dura para sempre.
Nolan: Então aceite isto. Aceite que não há nada a fazer.
House: OK. Eu aceito o fato de que eu não posso fazer nada em relação a isto. Agora, o que eu posso fazer?
Nolan: Você reconhece o fracasso e passa por cima disto. Peça desculpas.
House: Uau! Coisas poderosas, essas desculpas. Você faz alguém pular de um prédio, diz duas palavras e segue em frente. Parece meio injusto.
Nolan: É este o problema? Você o machucou e se o mundo é justo você tem que sofrer do mesmo modo? Você não é Deus, House. É outro ser humano “ferrado” que precisa seguir em frente. Peça desculpas a ele. Permita-se sentir-se melhor. Assim você pode aprender  a permitir-se continuar se sentindo melhor.

Não tem um segundo em que não me identifico nestas e em outras passagens.

Outros papéis como a de Lydia interpretado por Franka Potente (passa lá em casa Franka!) são bons, mas pelo jeito Hugh Laurie vai levar mais um Emmy pra casa tamanha é a dedicação ao trabalho.

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Em resumo, David Shore acertou em afastar os personagens e deixar House sozinho. Foi uma boa ideia para um prólogo desta 6ª temporada. A série só tem a ganhar com esse novo fôlego, afinal conhecer como House age é uma coisa, mas conhecer quem de fato é Gregory House tornou a série mais interessante.

Sofrimento, mágoas, tristeza e no fundo um desejo: tornar-se alguém melhor. E melhor desejo que esse, acredite, não há.

P.S.: Aqui tem um review um milhão de vezes melhor do que eu fiz.

P.P.S.: Como vocês sabem o bom gosto musical do pessoal que monta a série é fantástico. A música que toca no final do episódio Broken é “Seven day mile” dos The Frames. É simplesmente maravilhosa!

P.P.P.S: Eu sei que algumas vezes forçam a barra no enredo, mas isso é um seriado. É ficção. Não precisa ficar preso a detalhes. Outro dia eu falo dos erros, hoje estou de bom humor!

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Uma resposta para “House is in the “heezy”!

  1. Ver House enfrentando seus fracassos e tendo que aprender a conviver com outras pessoas foi fantástico. Alvie é um personagem super legal, Dr. Nolan realmente faz House enxergar-se de outra forma e reconhecer que aquela vida de isolamento e de “luta contra o sistema” só o afundaria ainda mais. A trilha sonora é perfeita. Enfim, adorei o primeiro episódio da nova temporada. Acho que podemos esperar coisas muito legais.

    Ah, e quanto aos erros, é bem o que você falou: ficção não tem a obrigação de ser extremamente fiel à realidade. Se tivesse que ser real, não seria ficção.

    Aguardo posts sobre os outros episódios dessa temporada. 😉

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