Entenda a greve da USP

Greve na USP é sinônima de coisa normal. Sim! Existe até a brincadeira de que a greve sempre está incorporada ao calendário letivo, brincadeiras de bolões para se saber quando haverá a nova greve e enfim tem de tudo o que se possa inventar com a criatividade de quem está na faculdade.

Os porquês de ela estar tão banalizada são muitos:

1) Tem todo ano;

logo as reivindicações não são de longo prazo e sim de curto prazo.

2) Greves criadas por “motivos políticos”, ou sustentadas por “motivos políticos”;

Curiosamente são sempre os mesmos partidos de esquerda como o PSTU que não engolem o PSDB no poder do governo de São Paulo. Ora bolas, a USP é uma autarquia. É independente das decisões governamentais. Só é repassado o ICMS para a USP e daí para frente é problema da reitora. Não entendo o porquê de tanta greve ter como pano de fundo o slogan: “fora Serra”, “fora Alckmin”, “fora PSDB”.

3) É sempre o mesmo roteiro;

O Sintusp fica insatisfeito com algo e não aceita um não. Não sabe negociar, já que podia ter planejado nas greves anteriores, e apela para a greve. A minoria dos funcionários (não-docentes) para os serviços básicos, como alimentação dos restaurantes e empréstimos de livros das bibliotecas para gerar insatisfação de que não participa da greve. Minorias dos alunos e dos professores se filiam a greve, e a reitoria cede.

4) Sempre os mesmos participantes;

FFLCH, DCE, Sintusp… (Não quero generalizar. Sempre existem pessoas destes grupos que não participam das greves e não concordam, mas infelizmente, são sempre os mesmos participantes).

5) Pedidos são sempre os mesmos;

Aumento salarial + (ponha aqui sua causa sindical-politico-partidária do momento).

Fato é que não poderia ser diferente este ano. Mas pôde! São os mesmo clichês, porém com um diferencial: a presença da polícia no campus universitário.

Os mais antigos se lembrarão da invasão da polícia no campus durante época da ditadura, a repressão política e associarão a esta com a presença dos policiais. Parem com isso! Não há repressão, não há ditadura… O motivo da greve é totalmente diferente. Não tem ideologia envolvida, não tem democracia em questão. Tem sim o Sintusp que se nega a pagar R$ 350 mil reais (veja aqui e aqui) como ressarcimento de danos devido a invasão a reitoria em 2007 e a readmissão do Brandão (veja a foto de sua prisão e tire a suas conclusões) por ter sido injustiçado ao ser demitido de forma cruel pela reitora por invadir um patrimônio público.

Aumento salarial? Melhorias no ensino público? São causas para inglês ver… Não ao ensino a distância? Álibi para estudantes e professores participarem da greve por acreditarem que a qualidade de ensino cairá.

Sempre na mente de cada um dos manifestantes haverá o pensamento de que o Serra colocou a tropa de choque para intimidá-los, e não porque o direito de ir e vir de quem não aderiu a greve deve ser respeitado por uma ordem que partiu do judiciário. De que estudantes ao invadirem a reitoria estão lutando por uma causa, e a permanência de policiais na CALÇADA é uma invasão.

Enfim lamento por mais esta greve. Acredito que a sociedade paulista tem outras coisas para reivindicar, e assistir mais um ato grevista, pela televisão, meio que se importará só pela audiência e não pela informação, citará somente os estudantes. “Estudante faz greve? Do que? De estudo?” – será o pensamento do telespectador – a ‘causa’ será deixada de lado e o repúdio a greve será maior. Decididamente, marketing não é o melhor departamento do Sintusp.

Para você acompanhar outras opiniões, veja:

1) Comunidade da USP no orkut:

O fórum da comunidade da USP do orkut, onde os alunos comentam as suas visões. É claro, que a maioria vai meter o pau, mas pelo menos tenha uma visão de quem está lá dentro.

2) Pesquisa realtime do Twitter sobre greve+usp:

Melhor local pra entender o hype depois tanto bafáfá.

3) Sintusp Wars:

Vídeo no youtube dos estudantes da Poli, cansados de tanta greve na USP resolvem fazer uma sátira.

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9 Respostas para “Entenda a greve da USP

  1. Criticar a distancia sem ver e passar por anda sempre é facil.. sempre..

    • Bruno, obrigado por comentar no blog. Não critico distante, pois eu sei muito bem o que se passa na USP. Estudo lá e acredito no debate de idéias e no respeito a toda legislação vigente no nosso país. Acredito que o primeiro infrator da lei é merecedor de descrédito e a partir daí todo jogo de negociação é um tabuleiro de xadrez, com avanços e recuos, todos para o bem da causa buscada. Se o Sintusp coloca numa pauta que não vai pagar os danos causados na invasão de 2007, cai por terra o primeiro motivo da greve. Não disse que as outras reivindicações não eram válidas e, sim, critiquei a banalização da greve, da falta de planejamento das greves anteriores, já que o motivo “maior” é sempre aumento salarial. Certo? Não mais, espero que as causas merecedoras de greve sejam alcançadas.

  2. Oi!
    Eu concordo com vc em mta coisa, acho q a greve é vista com desdenho pela sociedade, acho q os partidos políticos se aproveitam dela para impor suas próprias pautas mas sei tbm que tem mto aluno lá lutando pq acredita em uma universidade melhor. Eu ñ sou de partido, ñ sou do sintusp, sou aluna, estudo pra kct, trabalho pra kct e aderi a greve pq sei q ela é a única ferramenta de lutas que temos na usp (vc conhece outra? a reitora ñ dialoga, vide as reuniões da ADUSP – única entidade que ela recebe me seu gabinete – veja se houve diálogo entre eles!). A greve contra o ensino à distância é a mais válida, por que isso é uma falsa inclusão, é propaganda do Serra, sabe? Quer inclusão? Contrata mais professores e amplia o número de vagas! Põe todo mundo lá dentro (se existe uma universidade assim na Argentina, a estatal mais respeitada, com ñ-sei-qntos-Nobel, pq ñ pode existir aqui???). O governador quer é fazer mkt em cima da USP, que está um caos, um descaso só. Sou da Letras, meu prédio é provisório há 15 anos. Pergunta se tem saída de emergência, se tem extintor. Não têm! É um absurdo! E como fazer a reitora me ouvir? Juro, já tentei meios burocráticos, ñ há diálogo. Pergunte aos seus professores que devem ter anos de USP, a Suelly é a Reitora mais autoritária!!
    Bem, além da UNIVESP (ensino à distância), outra pauta fundamental, história na USP (sei pq qndo entrei, há 4 anos, já tinha isso pixado no ponto de ônibus) é a DIRETAS PARA REITOR, sim! A comunidade USP é q tem q escolher o reitor, e ñ o governador. Pois, sendo o gov q escolhe, apesar da USP ser uma autarquia, acaba virando um braço d governo, tendo um homem/mulher de sua escolha lá. E foi o próprio Serra que disse ao Estadão (acho) que mandou mesmo a PM e q ñ vai tirar. Gente, PM? Nós temos a guarda universitária. Onde já se viu vc entrar na reitoria e passar por um corredor de PM’s (LÁ DENTRO, VIU?)? Foi o que aconteceu com a primeira turma da ADUSP q foi pedir a retirada da polícia, assim que a greve foi votada.
    Vc pode ver, meu discurso ñ é manjado, ñ é pré-fabricado. Tô aqui sendo honesta com vc, cara. A greve é justa apesar de sim, ser cansativa e de fato, uma estratégia manjada e mal vista.
    Depois me escreva uma resposta, é bacana dialogar!

    Beijos e prazer em conhecer, hein!

    • Raquel,
      Muito obrigado por comentar em meu blog! Fiquei feliz que você, não só comentando e debatendo, confrontou, no seu twitter, com outros blogs! Adorei! Fantástico saber que ainda tem pessoas dispostas a se cercar de todas as ideias possíveis, todas as visões possíveis. Isso evita a alienação… Além do mais o benefício da dúvida é sempre bem vindo.
      Veja bem, você me perguntou se eu conheço outras ferramentas de luta, a não ser a greve. Eu ainda acredito nas manifestações, nas panfletagens, nas denúncias para a imprensa, e pedidos de apoio à assembléia legislativa e processos trabalhistas. Lógico, são os caminhos mais longos, porém os mais democráticos. Se depois de tudo isso não ouvissem as manifestações, partiria para a greve permanente. Mas nunca, eu repito, nunca invadiria um bem público, ou atrapalharia o direito de ir e vir de quem não participa da greve.
      Sobre o ensino a distância eu compreendo a sua opinião que sucatearia o ensino da USP. Dar um diploma de graduação a distância é complicado, mas aí seria desmerecer a capacidade da USP de criar um programa de EAD de qualidade tão bom e até melhor que os nossos moodle e col da comunidade USP e o erudito da FEA. Pelo que eu sei, haveriam aulas presenciais de fins de semana também, então não é tão EAD assim. É só manter o rigor que é imposto a nós: a média é 5? Mereça passar. Pegue pesado e pronto. Se tiver que reprovar 30%, 50%, 100%… que reprovem, só mantenha a qualidade.
      Sei que a reitora não é a das melhores. Em certos casos até é ditatorial. Não sei se você ouviu falar do ex-aluno Tom que trabalhou no Stoa? Ele foi demitido do grupo por ter feito uma piada de 1° de abril com a reitora, falando que iam privatizar a USP. Demissão por piada de 1°abril é duro de engolir, não acha? Então eu sei que o diálogo com ela é difícil e que vocês estão mais do que certos em pedir MELHORIAS para a FFLCH, aumento de salário é discutível, mas se os funcionários merecem é outro ponto, e outros itens da pauta que agora começará a ficar enorme, e se esqueceram que lá no meio tem a dívida do Sintusp e do DCE de R$350 mil reais por invadirem a reitoria… A pauta virará um pacote econômico para a USP. Quase que um PAC.
      Diretas para Reitor é um assunto complicado Raquel. Se já existisse eu, por exemplo, seria contrário que bixos votassem, já que eles mal conhecem a dinâmica do campus. Como um todo eu acho a ideia ruim, porque se a Poli e a FFLCH escolhessem cada um, um canditado, por terem “maiores eleitorados” iriam sempre para o um segundo turno. Desleal com as outras unidades não acha? Ainda acho que a rotatividade de reitores por unidades uma boa, privilegia o pluritarismo de visões, e de qualquer forma, se o governador escolher outro reitor que não for o primeiro da lista tríplice o “pau come” :). Então essa hipótese de que o reitor é o braço direito do governador é errada. Contudo, respeito a sua opinião.
      Sobre o Serra mandar a PM lá, não foi bem assim. Foi uma ordem expedida do judiciário, solicitada pelo CO (Conselho Universitário). Veja bem, se a PM não cumpre o mandado, o executivo está omitindo socorro, se cumpre é culpado também? É ilógico isso! Não tem essa de Serra. Cabia o Sintusp, DCE, sei lá quem, ir pro judiciário e derrubar a medida justificando que ia ocorrer um desastre. Se eles não foram é porque queriam que acontecesse isso. Foi premeditado. Assim como terem chamado a terça-feira de dia D. Detalhe: a Guarda Universitária não pode fazer nada, não tem voz de prisão, se alguém passasse dos limites, iria passar do mesmo jeito e são funcionários da USP, os mesmos que estão em greve, então eles não iam proteger o patrimônio público e o direito de ir e vir como a polícia, não acha?
      Enfim, é isso. Acho que foi um comentário post esse, mas valeu a discussão.
      Prazer em conhecê-la e obrigado mais uma vez pela visita!

  3. Oi Raphael.
    Adorei seu texto, apesar de ainda não saber se concordo ou não com tudo (hehehe). Fui aluna da USP, participei das greves, mas é aquela coisa: grupos fechados, interesses próprios, falta diálogo a ponto da gente ter que sair gritando pelas ruas. A ponto de ter que invadir uma reitoria. Acho muito, muito, muito importante lutar por uma boa educação. Sou pedagoga, completamente a favor da gente exigir. Mas, peraí: todos que estão por lá são pessoas capazes (de alguma maneira!) de dialogar. Não é possível que não exista outra forma. Todo ano é (quase) a mesma coisa mesmo.
    Estudei na FE e o engraçado: graduação para, quase sempre. Agora os alunos da pós quase não se interessam. É aquele negócio: minha pesquisa, vou parar pra fazer exigências? Uso esse tempo pra ler! Não sei o que pode ser feito. Diretas para reitor (li por aqui) é outra coisa estranha. Pode virar mais uma guerrinha entre partidos, pode ajudar (ou não) a eleger um governador, pode ser só política.
    Não sei, sinceramente.
    Parabéns pelo blog!
    Até,
    Isabella

    • Olá Isabella.
      Obrigado pelos elogios ao texto e ao blog! Hahahaha não precisa concordar com tudo! Aliás, não me importaria se discordasse de tudo! Pra mim o que importa é seu comentário aqui no post! Comentário, sim, que vale e muito! Assim como da Raquel e do Bruno que comentaram por aqui. Gosto de saber a opinião de todo mundo e, o melhor, debater sobre isso. Acho fantástico esse poder de comunicação de blogs e twitter.
      Olha Isabella, eu sou a favor de greve. Mas ela tem que ser justa. E como você bem disse, sempre tem grupos fechados e interesses próprios no meio do jogo. Eu acho ridículo ver que a cada semana há uma nova ‘causa maior’ a ser reivindicada pela greve. Durante o primeiro mês de greve eram: cessação de processos da reitoria ao Sintusp e readmissão do Brandão (aumento salarial tem em toda greve, sabemos disso já). Uma semana depois, com a adesão dos professores e dos estudantes, revogação do ensino a distância pelo não sucateamento da universidade. Logo depois que os estudantes invadiram a reitoria pela segunda vez, a reitora chamou a PM pra evitar nova ocupação e tirar piquetes. Qual é a nova pauta da greve? Fora PM, fora Serra, fora Suely com “diretas já” para reitor. Tudo isso, evidentemente, leva a crer que existe mesmo falta de diálogo, mais uma vez, como você bem disse.
      Agora de quem é a falta de vontade? Do Sintusp? Da reitora? Eu creio que a falta de vontade seja do Sintusp por eles sempre adotarem o radicalismo como forma de protesto. Tá aí o Lula que não me deixa mentir. “Não há como mudar a opinião dos trabalhadores com piquetes, se não convencê-los um a um da causa da manifestação”. Pra que radicalismo? Não vi convencimento por diálogo dentro da universidade e sim por imposição. Infelizmente, caso você não concorde com eles ou é reacionário ou então é alienado. Convencimento por debate, por diálogo, eu topo. Fora isso, como estudante, jamais entraria em greve com eles por causa dos motivos apresentados até então.
      Sobre o pessoal da pós, eu não sei muito o que dizer Isabella. Talvez existam duas visões, imagino eu. A primeira é a de que o pessoal por ser mais maduro, enxergaria a manifestação como um todo e caso identificasse algo que desabone tudo, ou mesmo parte, não faria parte da manifestação. Ou então, eles já estão absorvidos pelo sistema por já trabalharem, por acharem que seria mais válido sair o quanto antes da faculdade do que lutar por causas que os façam perder tempo e por consequência, dinheiro. (Estereotipei, eu sei. Foi só pra ter uma noção da ideia, tá?) Qual é a resposta? Depende do seu jeito de enxergar o mundo. Eu acredito que por uma causa nobre, boa parte dos estudantes estaria lá neste momento. Por outro lado eu entendo a sua indignação dessa inércia dos estudantes de sempre esperarem pelo Sintusp para reivindicarem algo que já os incomodavam antes e pra tirá-los dessa inércia, acredito eu, só provando que a causa é justa. Que mesmo que não os afete agora diretamente, afetará quem estiver em seus lugares no futuro. Duvido que o pessoal da pós seria tão egoísta assim a ponto de negar apoio, ainda mais a galera de educação que sempre tem uma cabeça mais aberta.
      Sobre as diretas eu concordo com você, pedagoga!
      Mais uma vez, obrigado pela visita e pelo comentário!
      Tudo de bom pra você Isabella e parabéns pela profissão!

  4. Deveriam separar territorialmente a FFLCH do Sintusp. Deixem o Sintusp em SP e mudem a FFLCH lá pra Assis, sozinha, e garanto que tudo isso aí não acontece mais dessa maneira…

    • Olá Leandro.
      Não sei dizer se os dois juntos ou separados resolveria alguma coisa. O que fica claro é a falta de negociação, a falta de tato para a negociação de ambos os lados. Por enquanto a greve está suspensa, mas pode contar que semestre que vem tem mais…
      E obrigado por comentar no blog!

  5. sinceramente as universidades federais sempre estarao em greve/crise e isso é reflexo da situaçao do nosso Estado.
    Movimentos grevistas fede a partidos politicos, infelizmente.Digo isso pq participo e apoio greve, participo de CA (centro academico), e ….É triste, lamentavel aonde chegamos.

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