Down to the wire

A minha capacidade de fazer besteiras chega a ser comovente. Não no sentido de dar pena, mas no sentido de ser extremamente impressionante.

Desperdicei tantas chances na vida, chances que muitos dariam de tudo para tê-las, já agi de modo escroto sendo aquele idiota passivo-agressivo e feri tantas pessoas que de modo algum deveriam ser vítimas da minha depressão e do meu medo de viver, ou simplesmente por que fui idiota mesmo. Peço perdão a todas elas pois estava cego durante esse tempo todo, e compreendo se elas não me perdoarem.

Nesse saldo de existência, penso que mais sofri do que fui feliz. Frase essa que é um clichê, já que esse pensamento é típico da geração Y. E ao mesmo uma certeza, já que é impossível ser feliz todo o tempo, ou na maior parte do tempo de nossa existência. Temos períodos de “normalidade”, de “felicidade” e de “tristeza”.

Fazendo esta mea-culpa de que faço parte de uma geração fresca que não sabe o que é sofrer, apenas pensar que o carpe diem é um direito constituicional e que faz parte da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, prossigo o texto tendo consciência de que fui esse esterótipo até anos atrás. Não sei ao certo quando, pois acredito que foi tudo uma transição, quase como uma metamorfose.

No entanto, sei quando fui o auge do estereótipo. Foi na minha perda da vaga na Poli. Culminaram nessa época todas as minhas fraquezas. De lá pra cá, não fui o mesmo homem. Jurei para mim mesmo que chances não seriam mais desperdiçadas, independentemente do que estava passando na minha vida, o que é um completo exagero. Não existe isso.

Saúde emocional anda lado a lado com crescimento de vida e consecutivos “fracassos” surgiram.

Sai de uma empresa que adorava trabalhar, por conta de uma multa que me foi imposta e porque não tinha mais para onde crescer. Mudei-me para uma empresa cujo o clima era de terror, já que uma demissão poderia surgir a qualquer hora do nada. Sai desta empresa com o emocional totalmente em frangalhos. Toda minha confiança tinha ido por água abaixo. E do jeito que eu sou de cobrar sempre o melhor de mim, piorou ainda mais a situação.

Um grande amigo me indicou para a vaga que é o sonho de qualquer trabalhador em comércio exterior: criar um departamento do zero, construir sua própria equipe e ser um coordenador. Tinha abertura para viajar, realizar reuniões com clientes, enfim os meus diretores me deram um “cheque em branco” para que eu fizesse o que eu quisesse. O que eu fiz? Pedi demissão.

Neste momento ouço facepalms eclodirem por todo o planeta Terra.

Motivos: ainda não era o que eu queria. Eu sabia que tinha potencial para mais, potencial para ganhar mais, potencial para trabalhar com o que eu realmente queria que era engenharia, de trabalhar com projetos, de trabalhar com prazer.

Ouço você, caro leitor, dizer: típico de geração Y. Não se conforma com nada.

A questão não é se conformar, é saber que você tem potencial para algo maior e que a vida é uma só. – Clichê novamente da geração Y.

Joguei tudo para o alto, arrisquei um ano para entrar novamente na Poli e começar tudo de novo. Se eu fracasso, tenho que voltar para a “dura realidade”, se eu venço (e as probabilidades eram baixíssimas, já que estamos falando de USP) volto para o “mundo encantado” das possiblidades sem fim.

No fim, vi que não era nem uma coisa nem outra. A questão mais importante era de fazer o que você tem que fazer. Que te faça se tornar uma pessoa melhor. Aquilo que se você não fizesse, ficaria ecoando por anos na sua cabeça e que te deixaria com peso na consciência na hora de dormir. Não queria mais pensar: “Hoje foi mais um dia que eu joguei no lixo, por não fazer o que realmente importa para mim”.

E o que importa é que eu fiz.

agora_vai

PS: Este post é dedicado ao meu avô, que trabalhou durante o dia no aeroporto e durante a noite como taxista para dar comida, roupa e educação para três filhos e que no dia em que eu passei na Poli pela primeira vez, se emocionou e depois contou para cada enfermeira e médico que entravam no seu quarto que seu neto era um engenheiro da USP.

PS4 – R$ 4.000,00 – O preço da ignorância

Você como todo cidadão deveria saber o quanto paga de impostos para poder cobrar do Estado o retorno, seja em politicas públicas, seja em melhoria de vida, etc., pois assim de imediato, dá para saber qual é a parcela de imposto e qual é a parcela de custo do produto no preço total de cada mercadoria.

Quando eu disse aqui nesse meu post do Papo de Homem, que nem sempre a culpa é do imposto nos produtos importados, quase me mataram. Falaram que eu era contra o “Preço Justo” que eu era a favor do governo, que era playboy etc, etc, etc… O que eu sou a favor é da conscientização do consumidor. Dele saber quando está sendo enganado e por quem.

Esse post vai ter algumas coisas legais e outras chatas que você pode pular que não vai fazer falta para entender o assunto dos impostos na importação. Eu vou avisar, pode ficar tranquilo.

Parte chata (fique a vontade para pular):

Produtos importados são classificados de acordo com um código em comum nas aduanas pelo mundo afora. Cada país tem seu código tributário próprio, mas todos devem ter a mesma origem: O Sistema Harmonizado (SH) criado pela Organização Mundial das Aduanas.

Aqui no Brasil seguimos temos a NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul). O NCM serve de modo prático nos contar quanto e quais são os impostos a serem pagos. Consultando a NCM no Simulador Tributário da Receita Federal o NCM de vídeo-games é  9504.50.00.

Parte legal (pode voltar a ler)

QUAIS SÃO OS IMPOSTOS?

Custo de uma unidade EM USD EM R$
(Taxa USD 2,20)
Playstation 4 USD 400,00 R$ 880,00
IMPOSTOS PARA NCM 9504.50.00 (Videogame) ALÍQUOTA NOMINAL ALÍQUOTA REAL EM USD EM R$
(Taxa USD 2,20)
I.I. (Imposto de Importação) 20 % 20 % USD 80,00 R$ 176,00
I.P.I. (Imposto sobre Produtos Industrializados) 50 % 60 % USD 240,00 R$ 528,00
PIS/PASEP-Importação 1,65 % 2,91% USD 11,64 R$ 25,61
Cofins-Importação 7,60 % 13,40 % USD 53,60 R$ 117,92
ICMS-Importação (válido para o estado de SP) 25 % 65,44 % USD 261,74 R$ 575,83
Total de impostos 161,75 % USD 646,98 R$ 1.423,36
Total do produto + impostos USD 1046,98 R$ 2.303,36

Perceba que eu coloquei duas colunas. Uma de alíquota nominal (aquela que está na legislação), e outra de alíquota real (aquela que realmente existe depois de fazer as contas).

PROBLEMA #1 SISTEMA TRIBUTÁRIO BRASILEIRO É UMA ZONA

Por que isso? Porque o sistema tributário brasileiro é um dos mais complexos do mundo. São impostos cobrados em cima de outros impostos. Bases de cálculos esdrúxulas.

#FUNFACT – NEM A RECEITA SABIA CALCULAR OS IMPOSTOS NA ÉPOCA

Pra você ter uma ideia, quando a Receita Federal começou a cobrar PIS e Cofins no momento da importação, no ano de 2005, nem eles sabiam como calcular o imposto. Isso mesmo! Políticos criaram um imposto que nem mesmo os fiscais da Receita Federal conseguiam calcular.

O absurdo foi tamanho que publicaram uma fórmula no Diário Oficial para facilitar a conta. Detalhe: erram a fórmula duas vezes seguidas.

Na terceira tentativa, a Receita Federal, depois de muito sofrimento, criou uma planilha em excel para cálcular os tributos de modo “não tão prático, mas é o que tem no momento” para chegar nas contas certas. Duvida? Olha aqui nesse link e clica em Anexo Único: http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/NormasExecucao/2005/NormaExeCoana0022005.htm

PROBLEMA #2 – VÍDEO-GAME É TRIBUTADO COMO MÁQUINA DE AZAR (MÁQUINA DE APOSTAS) – Parte chata, já vou avisando.

Séculos atrás, todo boteco de São Paulo, tinha uma febre: máquinas de aposta. Você enfiava o dinheiro, apertava um botão e se desse Jack-pot você ganhava o prêmio. Estes jogos eram altamente tributados pelo governo.

O problema é que vídeo-games tinham a mesma classificação de máquinas de apostas. A questão é: você acha justo que vídeo-games sejam considerados máquinas de apostas? Eu não acho justo, porém, o governo acha e não faz nada para mudar.

Resultado disso: pra cada vídeo-game importado, você paga um pouco mais de um e meio (1,5x) para o governo.

PROBLEMA #3 – CUSTO BRASIL

O que falta naquela lista, além de impostos? A favor da Sony, eu sou obrigado a dizer uma verdade inevitável: o PS4 não vem da China sozinho.

Existem diversos custos logísticos como:

  1. Embalagem, paletização e peação de carga no container na China;
  2. Frete Rodoviário ou Ferroviário até o Porto Chinês;
  3. Demais custos aduaneiros na China para exportação;
  4. Frete marítimo (a parcela mais pesada no transporte);
  5. AFRMM (chamada Marinha Mercante);
  6. Armazenagem na Alfândega Brasileira (a segunda parcela mais pesada);
  7. Despesas com o desembaraço no Brasil da mercadoria;
  8. Frete Rodoviário do porto brasileiro até o armazém de estoque da Sony(terceira parte mais pesada).

São custos pesados. Quem já ouviu falar no custo Brasil, já deve ter uma noção que os custos viram uma bola neve quando chegam aqui. Alta burocratização dos serviços públicos e privados e extrema dependência do transporte rodoviário são fatores preponderantes para o custo Brasil.

Além disto, a Sony tem custos para manter a empresa daqui funcionando como:

  1. Folha de pagamento;
  2. Despesas de consumo: água, luz, material de escritório;
  3. Publicidade;
  4. Impostos sobre venda e lucro.

Na minha opinião, de quem já trabalhou com comércio exterior há um bom tempo e é despachante aduaneiro, custos logísticos e operacionais não dobram valor de eletrônicos.

Pra mim, a resposta está aí: XBOX One custando USD 500,00 (cem dólares a mais que o console da Sony) vai chegar pela metade do preço de um PS4 no Brasil. Há clara ineficiência logística da Sony.

PROBLEMA #4 – LUCRO BRASIL

Não sei se você sabe, mas o Brasil está entre os países fabricantes dos piores e mais inseguros carros do mundo e também dos mais caros do mundo. Culpa dos tributos? Na minha opinião, não. Veja porque:

Todos os carros brasileiros não vinham com os chamados opcionais: ABS, travas elétricas e ar condicionado. Bastou a Hyundai lançar o HB20 com os opcionais de fábrica com preços de carros populares nacionais, que por questão de mágica, todos os concorrentes começaram a incluir os “opcionais” nos carros padrões.

Como você me explica o fato de um Honda City produzido em Sumaré interior de São Paulo chegar mais barato no México, do que numa concessionária em São Paulo? Resposta? Lucro Brasil.

Os brasileiros pagam mais caro para manter status.

Ter carro no Brasil é status, ter iPhone no Brasil é status e pelo visto a Sony acha que ter PS4 é ter status. E enquanto isto for verdade, pagaremos sempre mais caro, por algo que vale bem menos.

Da minha parte, eu que tenho um PS3 não irei comprar nenhum vídeo-game, por enquanto. Não comprar, ou comprar do concorrente mais barato é o melhor negócio que você, consumidor e contribuinte, pode fazer.

Sobre cafés e comediantes

Jerry Seinfeld se lançou em uma nova empreitada com a missão de fazer um show sobre “o nada”. “O nada” é aquilo que você fala numa mesa de bar, numa conversa informal com os amigos e é justamente uma das coisas que mais me entretém.

O programa se chama “Comedians in Cars Getting Coffee” (Comediantes em Carros Tomando Café) e eu posso afirmar que é sensacional. No programa de estréia ele se encontra com Larry David, co-autor do seriado Seinfeld.

Antes de tudo, Jerry apresenta o “carro do dia” um fusquinha modelo 1952 de cor azure (meio caminho entre ciano e azul), todo cheio de peculiaridades: cinto de segurança é abdominal, aqueles que só tem dois pontos. Para dar seta se levanta uma alavanca laranja que faz com que o fusquinha tenha uma espécie de “asa”.

Ele passa para pegar o seu amigo Larry no trabalho e a conversa já fica engraçada antes de entrarem no carro, afinal a conversa sobre “o nada” já começa logo quando encontramos os nossos amigos.

No café, Jerry pede um café e Larry pede um chá de ervas. Claro que Jerry o sacaneia por conta disso. Larry conta no vídeo que um dos motivos de sua ex-esposa o deixar é porque ele parou de tomar café.

-Olha, estou tomando algo. Você não sabe o que é. –  disse Larry.
-Que bom. – Jerry disse sarcasticamente.
-Se tivesse chá no lugar de café, uma pessoa deveria se sentir incomodada pelo fato de não ser café?
-Desculpe-me se você não gostar do que eu vou dizer agora, mas eu acho que a sua ex-mulher tinha um pouquinho de razão.
-Sério!?
-Sim!
-Ela com razão? Olha, (segurando o copo de chá) eu posso ter uma conversa normal da mesma forma que se tivesse café no lugar. Qual é a diferença?
-Você quer saber a diferença?
-Sim, eu quero!
-Nós vamos para uma sorveteria. Eu peço uma casquinha e você pede uma salada! Essa é a diferença! E você fala: “olha, eu estou comendo e você está comendo”. (A diferença) é o clima! Quem pode dizer de onde vem o clima? Clima é uma coisa que apenas está lá e a única maneira de dizer que está lá é sentindo-o. Você está me dando um argumento científico que eu não consigo rebater.
Nesse momento Larry explode de dar risada.

Pra mim esse é “o nada”.

Os diálogos são intercalados com cenas de preparo do café, de uma maneira tal, que se você não tomou café ainda, com certeza ficará com vontade de tomar, pois elas lembram muito o estilo “food porn”, à la Nigella Lawson.

Acredite em mim: você ficará com vontade de tomar café.

A trilha de fundo é meio “jazzy” e pra mim fez com que a combinação ficasse perfeita: carros, amigos, café, jazz e uma conversa despretenciosa.

Os próximos convidados prometem histórias muito boas: Alec Baldwin, Rick Gervais, o Kramer (Michael Richards), se tiver uma oportunidade assista!

Comedians in Cars Getting Coffee
http://comediansincarsgettingcoffee.com/
(em qualidade ótima de vídeo, mas sem legendas)

http://www.crackle.com.br/c/Comediantes_em_carros_tomando_café
(em qualidade não tão boa, mas com legendas em português)

Vídeo promocional da série:

Vídeo promocional – Versão longa

Abaixo, o primeiro episódio da série.

Comedians in Cars Getting Coffee – Primeiro Episódio

P.S.: Um recurso que os comediantes se valem para agradar a platéia é o da repetição. É curioso e engraçado ver dois comediantes se aproveitando disto pra um provocar o outro. (piada do “5 years ago” do primeiro episódio)

P.P.S.: O título foi uma homenagem ao fantástico filme “Coffees and Cigarettes” (no Brasil: Sobre cafés e cigarros), que tem o mesmo tema: uma conversa despretenciosa num café, tomando café. Destaque para a cena do Bill Murray como garçom viciado em café!

Sobre cafés e cigarros, filme de Jim Jarmusch

Saudades de você, blog :(

Preciso te contar uma coisa, blog: tô ficando velho. Velho e chato. Meus gostos mudaram demais. Agora, por exemplo, estou gostando de um cantor norueguês, não sei se você conhece, se chama Jarle Bernhoft. Tenho escutado tanto o Bernhoft que os meus vizinhos do Last.fm, agora se tornaram todos noruegueses.

Outra coisa que mudou foram os gostos por podcasts. Outrora, eu só escutava Nerdcast e o MRG. Agora passei a escutar direto podcasts dos EUA. O meu favorito do momento é This American Life. Um dia eu te conto direitinho como é, mas por enquanto eu posso falar que são pequenas histórias contadas de uma forma bem legal no rádio.

De seriado eu tenho assistido The Newsroom, da HBO. Jeff Daniels é o protagonista dessa série e o autor é Aaron Sorkin, que foi roteirista do West Wing. Tenho adorado essa série. É o tipo de série que faz com que você imagine como o mundo, não só do jornalismo, mas como um todo, poderia ser.

Tenho estudado muito, tentando recuperar as coisas que eu perdi. Vi recentemente um curso muito bom do MIT sobre ensino de ciências na faculdade. É 90% do que eu desejava quando eu estava na USP. Um curso didático, que transmite o ensino de forma motivacional que realmente ensina e não joga tudo de forma enlatada. Esse curso me fez um aluno melhor e abriu as portas para que um dia eu também possa ensinar.

Recentemente, tenho me surpreendido tendo motivações, aspirações que antes não tinha sequer força para tê-las. Passei a acreditar mais em mim. E passei a ter mais desejos. Creio que isso deu um reflexo muito bom nas coisas que eu tenho feito.

Um conselho que eu tenho para dar? Olha blog, com o tempo, as coisas ficam sempre mais claras. “Dar tempo ao tempo” tem sido o meu lema e olha: isso realmente funciona. Eu tenho ficado cada vez mais sereno e encontrado aquela velha confiança que havia guardado dentro de mim.

Os resultados? Vem com o tempo.

Basta só ter esforço.

Sobre a brevidade da vida – Sêneca

Aproximadamente 2 anos se passaram desde que a compra desse livro até a leitura. Não sei porque eu tenho a mania de comprar livros e não conseguir lê-los, mas eu me lembro que eu comprei esse livro do Sêneca quando havia uma promoção relâmpago da Submarino de R$ 10,00 cada livro. Lembro também que eu comprei 11 livros numa tacada só.

Como se fosse um desses presentes que o “eu do passado” dá ao “eu do futuro”, eu consegui acertar o timing da leitura e esse livro me impactou profundamente. Se você tiver um tempo, leia-o. Vale a pena.

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Sobre a obra

Sêneca em uma carta direcionada a Paulínio (talvez sogro de Sêneca), fala sobre a brevidade da vida de uma maneira bem simples, sem muito apelo a termos complexos da filosofia.

O que mais fascina, da obra, é como os temas tratados são tão atuais, tendo em vista que a carta foi escrita logo no primeiro século depois de Cristo e estamos em pleno século XXI e as ideias permanecem atuais.

Ideias

Sêneca explica que o tempo de vida que a natureza nos dá é pequeno se comparado com outros animais, já que conseguimos ver no máximo 3 ou 4 gerações da nossa família.

Ao mesmo tempo ele cita o nosso tempo de vida é enorme, e a sensação de brevidade se deve ao fato de fazermos mau uso dele, tal como uma pessoa que herda uma grande riqueza e por ser uma má administradora de recursos gasta-a de forma inapropriada.

Uma outra ideia fascinante que me chamou muito a atenção foi a de que contamos nossa idade por anos de existência e não anos de vida. Pouco vivemos nesse período entre o nascimento e o dia atual, pois se descontarmos o tempo que ficamos doentes, resolvemos problemas alheios ou insignificantes, o tempo gasto no trabalho, enfim tudo aquilo que não foi dedicado 100% a felicidade, ao aproveitamento pessoal, foi perdido.

E de que nada adianta se privar da vida agora e adiar a alegria para o futuro, quando não temos mais a mesma força e aproveitamento de quando éramos mais jovens.

Sêneca dá uma aula do porque gastamos um bem tão precioso que é o tempo de vida com pormenores, que trocamos uma vida cheia de possibilidades por uma existência nula e fracassada.

Leitura mais do que recomendada.

Duas mil e doze voltas ao redor do Sol*

Números. A humanidade sempre foi fascinada por números. E sempre quando há uma contagem cheia, daquelas de encher os olhos e entorpecer as mentes, nós, reles mortais, nos reverenciamos a elas.

100 gols feitos por um goleiro, 1000 gols feitos por um jogador, 10 assistências e 10 roubadas de bola. O primeiro aniversário, o décimo aniversário, o centésimo aniversário. Bodas de papel (1 ano), bodas de alumínio (10 anos), bodas de platina (20 anos).

Mas imagina só o quão esquisito seria se não tivessemos dez dedos e sim doze dedos nas mãos. Aí com certeza a nossa base principal de contagem não seria decimal e sim duodecimal e tudo seria multiplos de 12.

Você fez 100 gols? Lamento, pois isso só teria importância se você completasse 120. Você correu só dez quilometros? Por que você parou se o normal seria completar doze?

Enfim, da mesma forma que a comunidade científica determinou certos padrões para o Sistema Internacional de Medidas, a humanidade determinou que contagens cheias representam algo.

E que 365 dias representam algo.

365 dias representam um ano, eu sei. Sei também que esse tal de ano representa, mais ou menos, uma volta ao redor do Sol.

Mas para uns, 365 dias representam um início de uma nova vida, para outros, uma oportunidade de fazer coisas novas. Sejam milhares de pessoas algomeradas nas praias, ou em lugares simbólicos das grandes cidades interioranas para comemorar a virada de ano, aquela mística passagem do segundo 59 do minuto 59 da hora 23 do dia 31/12 do ano X para o segundo 0 do minuto 0 da hora 0 do dia 01/01 do ano X + 1, para todas representa algo.

Fogos de artifício são lançados, taças são brindadas, o primeiro beijo do ano é dado, o primeiro abraço do ano é dado, o  primeiro sorriso do ano é lançado. Por um segundo os países que estão no mesmo fuso horário que o seu são mais felizes. E depois de uma hora serão os países do fuso horário seguinte e por aí vai… Respostas podem variar, mas considerando que o fuso horário padrão tenha só 24 fusos, damos ao todo 24 “felizes ano novo”.

Veja bem, não existiria um momento mágico e sim 24 momentos mágicos que acontecem de hora em hora “no dia” primeiro de janeiro. E acredito eu, que nenhum dentre estes 24 momentos mágicos é mais importante do que o outro.

No fundo o que eu quero dizer é: você pode muito bem ter marcado esse dia primeiro de janeiro para ser um marco de mudança na sua vida. Contudo, não se esqueça de que não existe um momento certo para definir mudanças na vida, de começar uma nova dieta, de procurar um novo amor.

O ano pode ser novo, mas quem escolhe o seu destino e o momento das cartas serem jogadas é você. Não se prenda a datas para analisar o que foi de bom ou ruim na sua vida e muito menos se prenda a um único dia do ano pra começar algo.

Todo dia é dia de ano novo. Feliz ano novo. Ontem, hoje e sempre.

*voltas contadas a partir do nascimento de um cabeludo famoso. (tm Roberto Carlos)

Concert

Little man with his eyes on fire
and his smile so bright.
In his hands is the ticket he bought
to fill his heart with delight.

And in the stage stands a great guitarist
holding up a guitar.
What you see and what you will hear
will last you for the rest of your life.

And it’s sad, so sad,
there ain’t no easy way round.
And it’s sad, so sad,
all you friends gather round
’cause the concert left town.

Pra ouvir escutando isso:

Circus – Eric Clapton

Obrigado pelo melhor show da minha vida, Mestre Clapton!